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Segurança pública: "Nova Iguaçu precisa ser ouvida"

12/04/2018


Vereador Marcelo Lajes fala da importância da discussão coletiva sobre segurança

"Está na hora de Nova Iguaçu ser ouvida, falar pra fora e receber do Estado o cuidado necessário quando o assunto é segurança". Assim, Jayme Soares, presidente do Conselho Municipal de Segurança, Direitos Humanos e Cidadania de Nova Iguaçu (Conseg) iniciou sua fala durante a audiência pública que aconteceu nesta manhã (11), na Câmara de Vereadores. Durante quase 4 horas, representantes do Legislativo, Executivo, polícias civil e militar, organizações sociais, pesquisadores sobre o tema e a população em geral estiveram reunidos apresentando ideias e discutindo caminhos para combater os altos índices de criminalidade que assolam a cidade. Uma ausência foi lamentada por todos, a do Gabinete de Intervenção Federal.

Pesquisador e professor do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Doriam Borges, apresentou estudos com números assustadores: em 15 anos, de 2003 a 2017, 30 mil pessoas foram assassinadas em Nova Iguaçu. Negros representam 75% dessas vítimas. Segundo Adriano Araújo, coordenador do Fórum Grita Baixada, a Baixada Fluminense figura com o dobro da porcentagem de homicídios que acontecem na cidade do Rio de Janeiro. "E quem fala sobre isso? Só ouvimos os meios de comunicação falarem dos acontecimentos da capital do Estado. As políticas de combate à violência precisam chegar aqui também".

Conduzida pelo vereador Marcelo Verdam Lessa, Marcelo Lajes, presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal, com o apoio do vereador Carlinhos BNH, da mesma comissão, o encontro apontou que garantir uma segurança de qualidade, para toda sociedade, não é apenas responsabilidade das polícias, com medidas repressivas, mas é um assunto que passa pela garantia de cidadania, educação, esporte, iluminação pública, etc. "Segurança é responsabilidade de todos nós", disse o comandante do 20º Batalhão de Polícia Militar, Alexandre de Souza Rodrigues. Ele solicitou que todos os segmentos sociais participem das atividades da corporação, como o 'Café Comunitário', e apresentem suas demandas e propostas. "Queremos ouvir todas as pessoas".

A diretora de Direitos Humanos da Secretaria municipal de Assistência Social, Dayse Marcello, disse que está em construção o Plano de Direitos Humanos de Nova Iguaçu. "Desejamos realizar uma grande conferência, em maio, para finalizarmos este documento que irá dar norte às nossas ações". Organizador do evento, com o apoio da Câmara Municipal, Sincovani (Sindicato do Comércio Varejista de Nova Iguaçu) e Sindicato dos Químicos, Jayme Soares, divulgou as propostas do Conseg, algumas em fase de estudo pela prefeitura, outras em discussão com os vários segmentos sociais:

- Elaboração do Plano Municipal de Segurança.

- Criação da guarda municipal.

- Reativação do Conig.

- Criação do Fundo Municipal de Segurança.

- Criação de grupos de voluntários para trabalharem nas delegacias de Polícia.

- Criação de um Observatório nas universidades locais para estudo dos dados da violência.

- Ações conjuntas com as secretarias municipais para o combate à violência contra a mulher, às drogas e à intolerância religiosa.

- Visita ao Gabinete de Intervenção junto com representantes dos Poderes Legislativo e Executivo.

Convidados, participaram da audiência os delegados titulares da 52ª DP, 58ª DP e 56ª DP, Luis Cláudio Cruz, Carlos César Santos e Marcos Peralta, respectivamente, e o subcomandante do 3º CPA Ivan do Espírito Santo. Como integrantes da mesa, participaram as autoridades: delegada Sandra Ornellas, da Dean/NI; Coronel Penteado, secretário municipal de Segurança Pública; Elaine Medeiros, secretária municipal de Assistência Social; e o vereador do município do Rio, nascido em Nova Iguaçu, Jones Moura.

Os vereadores Felipinho Ravis, Carlão Chambarelli, Paulinho da Padaria e Renata da Telemensagem estiveram presentes ao debate. Renata prestou uma homenagem ao grupo 'Rede de Mães', formado por mães que são parentes de vítimas da violência na Baixada. Cada uma recebeu uma Moção de Congratulações e Aplausos em reconhecimento à luta por uma sociedade mais justa.

Documento da audiência será redigido e encaminhado ao Ministério Público Federal pelo Conseg. No próximo dia 24, às 9 horas, acontece nova reunião sobre o mesmo tema, agora organizado pelo Conselho Comunitário de Segurança, também no plenário da Câmara, Rua Prefeito João Luiz do Nascimento, 38, Centro.




Plenário lotado da CMNI para debate sobre segurança pública


Homenagem à Rede de Mães